Edicões Gambiarra Profana/Folha Cultural Pataxó

domingo, 22 de maio de 2011

VENTOS NA PRIMAVERA


                               VENTOS NA PRIMAVERA

Olhei através
Da cerca de arame
E vi que no seu quintal
Brilha o sol
Que brilha no meu quintal

Um sol de igualdade
Apesar dos ventos
Apesar da sorte
Em saber amar
Através do olhar

Espero colher frutas
E repartir
Sentir as flores
E sorrir
No meu lado da terra

Espero colher na primavera
A semente que plantei
Através do olhar no arame
E sentir que o sol é o mesmo
Se o inverno passar

quarta-feira, 11 de maio de 2011

CASA DE PRAIA


Café posto na mesa
A varanda um tanto deserta
Com a cadeira de balanço
Bem ao lado do banco
As ondas enfeitavam
A paisagem lenta do mar
Bem à frente
A lua ainda sumia ao longe
Quase invisível
Sempre previsível
Com passos lentos desceu a varanda
Caminhou pela praia
Até o penhasco
Saboreou o vento
Tocando seu rosto
Assim como a solidão
Tem beijado seu coração
E atirou-se nesse mar
Através do olhar

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terça-feira, 26 de abril de 2011

CAFÉ COM CREME


Ainda pela manhã
Quando o vento úmido
Tocava a cortina
Ela estava à mesa
Saboreando o café com creme
E pão com manteiga
E pela janela
Olhava na estrada em frente
Com asfalto molhado
Pela chuva fina
As árvores que balançavam
Como se fossem forçadas
Pelas folhas
Que queriam soltar-se
E voar livres

quinta-feira, 21 de abril de 2011

FLOR DO MEU JARDIM

Foi se abrindo como uma flor
Embelezando o meu jardim
Seduzindo cada cantinho com seu amor
Cantando canções de amor sem fim

Foi se chegando timidamente
Cada dia colhendo um pouco de carinho
Deixando o jardim mais contente
Ficando sempre pertinho

Foi partindo com outros ventos
Meu coração entristecendo
Fui ficando sem minha flor no relento

Foi sumindo no horizonte
Sem dizer ao menos um adeus
Foi evaporando como o orvalho
Abandonando meu jardim em retalhos

domingo, 10 de abril de 2011

PIC NIC



Toalha aberta na grama
Um jeito simples no olhar
Cabelos soltos a se embaraçar
Lábios sedentos para beijar

Céu aberto
Você por perto
É tudo que preciso ter
Sou feliz por amar você

Sanduiche natural
Feito com recheio de carinho
Saboreamos ouvindo os passarinhos

Imagine essa tarde
Nós dois deitados na grama
Felizes como quem ama

segunda-feira, 4 de abril de 2011

SOUVENIR

                                          SOUVENIR

Ouço brilhos descalços
O ar condicionado causa
Uma sensação de alívio
De espera
Enquanto espero
O telefone tocar
Ou o email chegar
Depois
Adormeço em meu silêncio
Entre as imagens que passeiam
À minha volta
No paradoxo sem volta
Do tempo
Que passou

domingo, 20 de fevereiro de 2011

FRUTAS NO TELHADO

                                  FRUTAS NO TELHADO

Tem frutas no telhado
Bem ali no telhado ao lado
Da cerca de arame farpado

Tem frutas feitas de cera
Frutas que rolam pela ladeira
Quando pulam a cerca de brincadeira

Tem frutas secas no armário
Armário escuro como confessionário
Que habita o quintal imaginado

Na terra santa que enfeita o aquário
Para regar o pomar
De onde serão colhidas frutas

Para o telhado do arame farpado
Que fica escondido depois do pomar
Onde viver é menos que apenas sonhar