Edicões Gambiarra Profana/Folha Cultural Pataxó

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

MEU YESTERDAY

Ontem eu era feliz
Ontem eu estava até sonhando
Sonhando de ser feliz
Sonhando que estava brincando

Ontem tentei alcançar as estrelas do mar
Mas eu não sei nadar
Não sei como ancorar
O meu coração na ilha que poderá me abrigar

Ontem tentei ouvir os sinais do meu céu
Mas as nuvens estavam cinzentas
E as chuvas logo molharam meu rosto

Ontem tentei te olhar nos olhos
Mas você estava distraída olhando seu futuro
E não percebeu
Que iria ficar sozinha
Assim como eu

Ontem até tentei acenar um adeus
Mas o nevoeiro escondeu meus braços
E fiquei acenando para ninguém
Nem você mesma olhou meu rosto

Ontem tentei ser feliz
Tentei dizer adeus
Ontem acabei chorando

Ontem acabei apenas imaginando
Que estava te amando
Ontem eu estava apenas sonhando

Arnoldo Pimentel

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

MINHA NOITE NÃO SERÁ MARAVILHOSA

Minha noite não será mais maravilhosa
Já não tenho razão para me sentir feliz
Já não tenho sombras no caminho
O sol sufocante é minha trilha de espinhos

Minha noite não tem flores
Só sombras que escurecem a escada
E assim não chego aonde quero chegar
Não tenho em que acreditar

Minha noite só tem vultos
Dos dias que ficaram esquecidos nos anos
Ficaram nas noites que foram felizes
Ficaram fincados como raízes

Minha noite não tem sorrisos
Só lembranças que passam como querem
Só ternuras passadas
Que agora me ferem

Minha noite não será mais maravilhosa
Não tenho ponte para atravessar as águas revoltas
Não tenho mais sorte
Não tenho luz no fim do túnel

Já não procuro minha esperança
Já esqueci meu corpo na estrada
Sou ninguém que virou nada

Minha noite não tem mais jardim
Sou feito de sombras
Praia que não tem ondas

Minha noite nunca mais será maravilhosa
Fiquei pedido entre meus espinhos
Nunca mais acharei meu caminho


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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

LÁPIS DE CÊRA

Vou partir sem olhar pra trás
Entrar em convulsão sem cordas pra segurar
Nos ladrilhos que enfeitavam minha sina
Coberta de flores brancas e frágeis

Vou me cobrir com o manto da ilusão
Que enfeitou minhas noites de sonhos
Coloridos pelo lápis de cera
De cor neutra sem brilho

Minha voz ficou presa na garganta
Não teve inspiração para cantar a poesia
Sem saber que outrora era só fantasia

Meu passado agora é beleza abandonada
No caminho do futuro incerto
Onde não terei sonhos por perto


Arnoldo Pimentel

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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MARESIA



Sinta a maresia que brotou na chuva
E esqueça os olhos que ficaram para trás
Porque já não fazem parte dos dias que se desenham
Para você sorrir quando o outono chegar

Os ventos levaram aquele sorriso triste
Que se findou depois que dobrou a esquina
Onde a luz do poste não iluminava a caçalda
Que absorvia seus passos indecisos e tímidos

Esqueça a tristeza que envolve sua névoa
Para que o amanhecer seja leve e colorido
Como o passeio no parque de mãos dadas
Onde a sutileza do amor começará a tomar forma

Sem que as nuvens do desencanto apareçam
Com novas tempestades para ferir as flores
Que estão sendo acariciadas para enfeitar a primavera
Que irá nascer no horizonte de sua vida

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

BOTÃO DE ROSA



Meu botão de rosa caiu
Foi levado pelo vento
Correu os quatro cantos
Em seu lugar nasceu o pranto

Que me exilou
Que me isolou
No canteiro da solidão
Da minha rodovia

Um jardim ficou sem o tempo
Sem o balanço das flores
Sem o beijo do colibri
Sem a puberdade que vivi

sábado, 24 de dezembro de 2011

DEUS É FRÁGIL

Ainda há pouco
Eu estava bebendo uma cerveja num bar
Algumas crianças estavam brincando por ali
E uma menininha de cabelos louros
E olhos azuis
Mostrou-me como o Super-Homem e o Batman são frágeis
Os pais das crianças estavam do outro lado da rua
Da rua tão deserta
Um deserto tão ermo que não tinha nem Esfinge para nos olhar
Ou proteger as crianças
As crianças estavam tão sozinhas
Que pude perceber o quanto Deus é frágil
Deus é tão frágil quanto o Super-Homem e o Batman
As portas estão fechadas
E as luzes logo irão se apagar
Deus vai proteger sim
As crianças que estão em seus lares
E não as que estão pelas ruas a vagar
É tão triste ver crianças num bar

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

VENTOS NA PRIMAVERA



Olhei através
Da cerca de arame
E vi que no seu quintal
Brilha o sol
Que brilha no meu quintal

Um sol de igualdade
Apesar dos ventos
Apesar da sorte
Em saber amar
Através do olhar

Espero colher frutas
E repartir
Sentir as flores
E sorrir
No meu lado da terra

Espero colher na primavera
A semente que plantei
Através do olhar no arame
E sentir que o sol é o mesmo
Se o inverno passar 

Arnoldo Pimentel
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