segunda-feira, 18 de julho de 2011
GAIVOTAS
GAIVOTAS
Não adianta aprisionar
Deixar de sorrir
Deixar de sentir
Deixar de amar
Não adianta
Olhar as gaivotas
Pelo quadrado da janela
Se não puder zarpar
Escutar o badalar dos sinos
Se não souber ouvir
Se não souber rezar
Não adianta se afligir
Se seus braços não vão partir
segunda-feira, 11 de julho de 2011
ÁRIDO
Qualquer dia
Vou afogar-me nas lágrimas
Das montanhas queimadas
Do meu planeta árido
Sou árido
Como o cometa que cruza o meu céu
Sou o véu
Da cachoeira nebulosa
Sou o sangrar
Do lobo selvagem
Nas veredas
Incertas da minha vastidão
sábado, 2 de julho de 2011
CÉU DESABITADO
Esperar o tempo passar
Contar as horas
Esconder o carinho sonhado
O céu desabitado
Sentir a lágrima do orvalho
Que corta na noite
O sentimento reprimido
E o luar abandonado
Na claridade do amanhecer
Sufocar a angústia
Conter a doçura do olhar
Até a vida passar
sexta-feira, 24 de junho de 2011
PÉTALAS DE ESTRELAS
Bem que eu poderia
Ir a saturno
Levar junto os tempos remotos
O disco de Juno
Bem que eu poderia
Cortar o espaço
Olhar-te das nuvens
Colher pétalas de estrelas
Bem que eu poderia
Pegar um cinema
Esquecer o soluço contido
O filme perdido
terça-feira, 14 de junho de 2011
HORIZONTE DOS SEUS OLHOS
Aconteceu sem eu perceber
Não cativei você
Tive medo de abraçar
Tive medo de amar
Mergulhei no mar de arbustos
Soprei um vento no seu rosto
Pra você ficar distante
Das minhas mãos vazias
Tive medo de acariciar sua vida
De amar seu infinito
De viver seu paraíso
Tive medo de abraçar
De mergulhar
No horizonte dos seus olhos
domingo, 5 de junho de 2011
AZUL PISCINA
AZUL PISCINA
E se eu descobrir
Que posso acreditar
E seu descobrir
Que posso andar
Que posso olhar
E fazer-me melhor
Tocar meu rosto
E encontrar um tesouro
E se eu descobrir
Que meu retrato não ficou apenas na memória
Caminhou e ganhou o mundo
Sem lembrar o que ficou pra trás
E se eu descobrir
Que meu polvilho não é azedo
É doce
Como minha alma
segunda-feira, 30 de maio de 2011
CORAÇÕES DESESPERADOS
Casas nuas e vazias
Paredes brancas
Na rua deserta coberta de poeira
Olhos tristonhos
Do sol que se escondeu
Na vereda escura sem soleira
Sonhos rasgados
Corações desesperados
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