terça-feira, 22 de abril de 2014
GÊNESIS
O grito ecoou em todas as casas
Ninguém saiu para prestar socorro
Ninguém prestou socorro
Ninguém
Arnoldo Pimentel
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
COPACABANA
Havia um rio sem margens
Entre as trilhas
Todos os dias às 18:30 o rádio era desligado
Havia uma rua que separava as janelas
As páginas do caderno estavam em branco
E o lápis ficou sobre a mesa
Das minas de carvão
Não dava para ver Copacabana
Arnoldo Pimentel
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
quarta-feira, 11 de setembro de 2013
LUA DE JERSEY
Nem bem acordei e já sinto fome
Procuro nas ruas o que comer
Procuro nas ruas água pra beber
Procuro nos escombros onde me esconder
Procuro um lugar onde exista paz
Onde se possa viver
Arnoldo Pimentel
quarta-feira, 14 de agosto de 2013
SAN FRANCISCO
Uma
noite, por volta de 1977, sai do cinema,
A chuva
estava fina e fria,
No
relógio não havia ponteiros
E as ruas
de Nova Iguaçu,
Assim
como os becos da estação,
E os
becos da antiga rodoviária,
Estavam
desertas
Eu sempre
tentei descrever
Nos meus
cadernos de filmes
O que
senti naquela hora
Mas meus
dedos tateavam os vultos em vão.
Arnoldo
Pimentel
domingo, 28 de julho de 2013
TRILOGIA HELENA
Amigo, conheça a TRILOGIA HELENA (INMEMORIAM)
Três poemas de minha autoria dedicados a minha mãe.
Visite o site do Grupo Gambiarra Profana, se gostar siga
o blog,
Desde já agradeço a visita e a leitura.
Link abaixo:
domingo, 30 de junho de 2013
SAN ANTONIO
Uma moringa com água fresca
Sobre a mesa
É tudo que tem na casa
Uma moringa
Água fresca
Uma mesa
E a porta aberta
Arnoldo Pimentel
sábado, 4 de maio de 2013
CAMPOS DOS GRANDES CÉUS
Preferi ficar em casa
Ao invés de ir jogar futebol
Naquela manhã de domingo
Peguei o caderno para fazer uma lista
De todos os lugares que eu queria conhecer
E lembrei
Dos Campos dos Grandes Céus.
Arnoldo Pimentel
sábado, 30 de março de 2013
SANTA LUZIA
Dias atrás já de noitinha
Um pouco depois das seis
Eu caminhei por um dos lados
Da única rua da pequena cidade
Onde eu estava
Entrei na pequena igreja
Em estilo barroco
Ajoelhei-me aos pés de Santa Luzia
E pedi a ela para abrir meu coração
Para que eu possa ver o mundo com mais amor
Para que eu possa me doar mais
Para que eu possa ser uma pessoa melhor.
Arnoldo Pimentel
domingo, 3 de março de 2013
O QUARTO, A CANECA DE CAFÉ E O CADERNO EM BRANCO
Trouxe o caderno para dentro do quarto, ficou o dia todo
na mesa de madeira da varanda, folheou, olhou todas as páginas, todas em
branco, sem história, sem memória. Pegou a caneca de café e tomou devagar para
sentir o gosto. Olhou mais uma vez as folhas brancas do caderno que ficou o dia
todo na mesa de madeira da varanda. Acendeu um cigarro, olhou pela janela,
pensou e enfim começou a escrever, começou a escrever a partir da manhã, há
tempos não lembrava aquela manhã, que entrou na pick up e pegou a estrada rumo
ao desconhecido que se abria a sua frente, sabia que chegaria na última folha,
só não sabia, se valeria a pena.
Arnoldo Pimentel
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013
LUAR NA NEVE
Os
meninos correm atrás da bola
De um
lado para o outro
Na
pequena rua de chão
A lua que
nasce atrás das árvores
Não
ilumina aquele pedaço da rua
Obrigando
os meninos
A
crescerem amordaçados
Sem poderem
falar
Arnoldo
Pimentel
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